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Palavra do MestreEducar? Para que mesmo? Ah! Como é difícil chegarmos a uma conclusão. Mal conseguimos atinar com o que é ou o que deve ser a educação. O que é mais importante: o indivíduo ser educado ou instruído? Ou o fato de ser educado já inclui instrução Como se vê, rapidamente podemos levantar varias questões. Contou-me um professor, que assistiu a uma palestra onde um índio comparou a escola dos índios com a escola dos brancos. A escola dos brancos, disse ele, tem como principal finalidade educar os alunos, ao passo que a escola dos índios só instrui seus alunos, pois eles são educados pela família e pela tribo De fato, educar, no entender dos índios, é passar as tradições e os costumes da tribo, cuja transmissão é predominantemente oral, ou por observação. Bem ao contrário, o homem branco, não se preocupa muito em passar costumes e tradições. O que ocorre é que os jovens não levam nada que os faça preservar as tradições da família e da sociedade. Muito pouco, também, os liga às famílias. Em pesquisa que fizemos com alunos do Fundamental I, pudemos constatar que a família era quase desconhecida por eles. Conhecem mais a mãe. O pai, acaba ocupando um lugar secundário. De forma geral, não falam do pai como sendo uma figura digna de admiração. Alunos de 7 e 8 anos, muitas vezes se confundem ao dar o nome do pai. À pergunta: o que seu pai faz? Diríamos que a maioria não sabe. Quando as perguntas passam a se referir aos outros membros da família; avós, tios, de onde são, etc, as respostas são mais raras. Sabemos que a faina diária é perversa, envolvendo as pessoas e fazendo com que se fechem em si mesmas. A conseqüência é o isolamento. Não há tempo para conversa, que muitas vezes aborrece. E a educação dos filhos? Ah, eu os coloquei numa boa escola e lá eles dão um jeito. Essa é a senha para formar um adolescente deseducado e, muitas vezes, infeliz. Por que isto merece ser dito? Em que proporção ocorre? Infelizmente, a proporção é assustadora. Todos os dias, tomamos conhecimento de acontecimentos em escolas, que vão da deseducação à agressão, a ponto de os professores se negarem a entrar em sala para dar aulas, com medo. Sabemos o quanto é trabalhoso manter o Joana D'arc fora desse circuito. Qualquer coletividade que tenha como objetivo desenvolver uma atividade, seja ela educacional, esportiva, de lazer, etc, tem que se basear na disciplina, vinda do princípio da autoridade. Se cada um agir por conta própria, o coletivo se desfaz e a conseqüência é a desorganização, no dizer do adolescente, a bagunça. Na realidade, precisa haver um mínimo de educação dos componentes da coletividade para que o princípio da autoridade seja reconhecido sem força. O que está acontecendo hoje? Os alunos não reconhecem a autoridade, pois não estão acostumados com ela, em suas próprias casas. "Ora, se meu pai, que é meu pai, não manda em mim, quem esse cara pensa que é, para mandar?" Frequentemente, nas conversas com pais, temos a confirmação desse fato, com uma incrível aceitação. Quando há relatos de alteração de comportamento na escola, há várias citações de piores procedimentos em casa. Chega a ser inacreditável. Mentiras, xingamentos, agressões, negar-se a dizer onde vai, com quem vai. Tudo isso nos remete a um questionamento: que tipo de pessoa esses pais querem criar? Será que eles esperam que ocorra um milagre, ou não se importam em criar um desajustado? Não esqueçamos que o objetivo principal é prepará-los para a vida, cujas exigências são muito maiores que as da escola. Certa ocasião, numa palestra para os alunos, ouvimos, de um pai, Promotor da Vara da Infância e da Juventude, que os adolescentes que cometem infrações, no momento em que lhes é revelada a pena, dizem: ¨- Mas eu não tenho direito a uma chance?¨ Ao que o Promotor responde: ¨ - Chance quem dá é a escola, aqui, é a sociedade e a sociedade não dá chance, ela pune ! |
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